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O tédio da vida

O tédio da vida

O desencontro com o padrão

À força de querer enquadrar-me,

Padeci da inexorabilidade de desencontrar-me.

Vislumbrei-me a mim mesma,

Como se alheia de mim,

E não me reconheci nesta minha reflexão.


Deixei conduzir-me pelo outro,

Como uma ovelha pelo pastor.

E quando, momentaneamente,

Emergia à superfície,

Era sempre impulsionada a

Mergulhar de novo

No mar da padronização social.


Um dia, cansada da monotonia

De ser como o outro,

Compreendi que não há

Maior liberdade do que

Sermos peculiares.


Distanciei-me dos padrões,

Revesti-me do singular e individual eu

E deambulei pela cidade,

Sentindo o trinfo de não pertencer,

De não partilhar de todo o tumulto da gente.