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O tédio da vida

O tédio da vida

Gatos nos quintais

Estou à janela. Afasto as cortinas, para melhor ver o mundo. O mundo não, um milímetro dele. Vislumbro as casas à minha volta, desgastadas e com as paredes descascadas. Vejo os gatos, um deles deitado no meu quintal (como se dele fosse) e dorme, magro, com um dente partido. O outro encontra-se no quintal da vizinha, a miar desenfreadamente, a tentar penetrar por entre as portas (existem umas quatro) da casa. Ao ver este cenário, penso no quanto gostaria de ser mais um daqueles animais. Apesar de mal alimentados, não pensam. Não têm consciência do que acontece. Nem sequer sabem que um dia irão morrer. Para eles, não há morte. Ela é inexistente. Eles são imortais! Além de não terem a faculdade de pensar, eles são, inequivocamente, livres. Podem errar pelo mundo fora sem dar justificações a ninguém. É claro que estes dois gatos em concreto não o fazem, à força de a fonte de alimento residir na amálgama de quintais (o meu incluído) que se juntam e fundem-se num só. Enfim, fecho as cortinas, regresso às quatro paredes e entrego-me de mãos dadas ao aborrecimento da minha vida.

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