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O tédio da vida

O tédio da vida

Terra maldita

Nado num mar de sangue, sem saber se hei de sucumbir ou continuar a nadar até que a exaustão me faça parar. Procuro a margem, a terra, o local onde poderei, finalmente, desfrutar de uma placidez única. À falta de terra, busco por algo onde me possa agarrar e segurar. Necessito de algo que me permita sobreviver, pois já não mais aguento.

            Uma gaivota voa pelo céu e parece regozijar-se da sua eterna liberdade e felicidade. Ela apenas é, apenas existe. E nesta simples e remota existência, esta ave é feliz. Vive sem pensar. Procura, incessantemente, comida e aproveita os seus dias na água, boiando; no ar, esvoaçando.

            Se eu fosse a gaivota, também regozijar-me-ia. Olharia para os humanos, lá em baixo, na infernal terra, e sentir-me-ia aliviada por poder fruir do vasto, límpido céu.

            Cesso. Já não quero continuar a nadar. Sinto o remoinho a formar-se à minha volta. Sou o olho do furacão. Afundo-me e sorrio, já não mais irei voltar à terra maldita.