Nado num mar de sangue, sem saber se hei de sucumbir ou continuar a nadar até que a exaustão me faça parar. Procuro a margem, a terra, o local onde poderei, finalmente, desfrutar de uma (...)
Há uns dias, escrevia sobre como é inebriante ter um gato adormecido em cima do ombro e como estes animais vivem a sua vida inocentemente, sem saber que um dia deixarão de ser. Ora, na (...)
Se eu soubesse escrever sobre coisa alguma, escreveria sobre o quão inebriante é ter um gato adormecido em cima do ombro. Um respirar pausado e sonolento, umas orelhas hirtas e prontas, um (...)
Um ocaso fogoso e vívido, Transeuntes que regressam aos lares, Gatos que se espreguiçam e se põem em alerta. Ruas que se esvaziam, Luzes que se acendem e ofuscam o natural. Mais um dia que se vai, Mais uma penumbra citadina.
Será que a felicidade existe? Será que há alguém neste mundo que possa afirmar que é, de facto, feliz? A resposta a ambas as perguntas (e muitas outras relacionadas) suscita uma (...)
Epifania súbita de viver,
O manto de um azul alegre expande-se sobre nós
E os pássaros, até agora mudos,
Começam a gorjear, contentes também.
O ar matinal revigora,
O cheiro (...)
À força de querer enquadrar-me,
Padeci da inexorabilidade de desencontrar-me.
Vislumbrei-me a mim mesma,
Como se alheia de mim,
E não me reconheci nesta minha reflexão.
Deixei (...)
Vislumbro, da janela do meu quarto,
Toda uma rua a palpitar de gente.
É de dia de festejos hoje,
Os risos inundam os passeios.
Saio de casa, revigorada pela alegria
E caminho até à (...)
Debaixo dos meus olhos,
Círculos negros desenham-se
Uns após outros, infindáveis.
Palimpsestos de noites em claro.
O corpo exausto implora descanso
Mas a alma permanece insaciada.
O (...)
Estou à janela. Afasto as cortinas, para melhor ver o mundo. O mundo não, um milímetro dele. Vislumbro as casas à minha volta, desgastadas e com as paredes descascadas. Vejo os gatos, um (...)